Seca, mar caribenho e ondas de calor: no último fim de semana do verão, veja o que marcou a estação no Rio

O verão que começa a se despedir não foi nada igual àquele que passou. O calorão é sempre esperado, mas as máximas bateram recordes. As águas de março, outra marca da estação, demoraram a cair. Antes, em fevereiro, o Rio, pela primeira vez, atingiu o nível 4 de calor — penúltimo estágio do protocolo de enfrentamento a altas temperaturas criado pela prefeitura há sete meses. Na temporada que se encerra no dia 20, a cidade foi dos eventos climáticos extremos à felicidade ardente do carnaval e da comemoração do Oscar de Melhor Filme Internacional de “Ainda estou aqui”: o imóvel na Urca que serviu de locação para o longa virou atração turística e vai ser transformado na Casa do Cinema Brasileiro. Antes de dar as boas-vindas ao outono, saiba o que mais esquentou as rodas de conversa nos últimos três meses.

Secura

Fevereiro foi o mês mais seco já registrado na história da cidade desde o monitoramento iniciado em 1977: a média de chuva esperada, de 123,3mm, não passou de 0,6mm. Em pelo menos nove bairros, não caiu uma gota entre 31 de janeiro e 9 de março. Vidigal, Rocinha, Copacabana e Jardim Botânico, na Zona Sul; Grajaú e Tijuca/Muda, na Zona Norte; e Barra/Barrinha e Sepetiba, na Zona Oeste, tiveram dias de deserto. Um dos culpados foi o fenômeno La Niña, que costuma trazer chuvas e clima ameno, mas foi mais fraco este ano. Estacionado sobre o Rio, um bloqueio atmosférico quente também não ajudou: impediu a passagem de todas as frentes frias.

É fogo

O corpo de bombeiros informou que o número de queimadas subiu mais de 435% em comparação ao notificado em 2024. Mais de 6 mil incêndios em vegetação foram registrados desde o início do verão.

O ‘muso’

Nos últimos dias da primavera e nos primeiros do verão, o mar estava para peixe, entre outras espécies. Um lobo-marinho parou para descansar na Praia de Ipanema, ganhou o carinho dos banhistas e o apelido de Joca. Dias depois, foi visto em Niterói, Maricá e Arraial do Cabo.

— Todo ano nós esperamos ter a ocorrência de lobos-marinhos na costa do Rio de Janeiro. Costumam surgir ao longo do segundo semestre, em geral entre o inverno e a primavera. Nada mais é do que um momento de descanso para o animal — explica Rafael Ramos Carvalho, biólogo do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) da Uerj.

Réveillon estrelado

Pela primeira vez, o Rio teve na virada do ano uma sequência de shows estrelados. Caetano Veloso e Maria Bethânia abriram a última noite de 2024 com a mesma apresentação da turnê com a qual os irmãos rodaram o Brasil. A festa também marcou a estreia do axé de Ivete Sangalo no palco do réveillon do Rio, mas não foi só: ainda teve Anitta com seu Funk Generation e Xand Avião cantando forró. No Leme, um palco gospel agradou a milhares de fiéis. A programação do festejo foi preparada para todos os públicos e credos.

A casa do cinema

A residência da Rua Roquete Pinto 7, na Urca, deixou de ser um endereço comum e virou ponto turístico reconhecido pelo Google após Fernanda Torres vencer o Globo de Ouro por “Ainda estou aqui”, em janeiro. A casa reproduz, no filme, o local onde viveram Eunice Paiva e o deputado Rubens Paiva. Em março, mais uma glória: o Oscar de filme internacional, que levou Eduardo Paes a criar ali a Casa do Cinema Brasileiro.

Carnaval de três dias

Outra primeira vez do Rio durante a estação mais quente do ano foi a realização dos três dias de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. A nova divisão, com quatro agremiações por noite, agradou ao público e a especialistas, mas a logística pós-desfile requer ajustes.

Mar caribenho

Águas cristalinas do Leme ao Pontal causaram sensação em muitos dias de fevereiro. A cor do mar viralizou, e até as águas da Baía de Guanabara ganharam adeptos. Antes pouco explorada, a Praia da Glória colecionou resultados positivos nos boletins de balneabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) no fim do ano passado, atraindo novos frequentadores.

O ‘mala’ da vez

O banhista que chega às areias com sua caixa de som em volume altíssimo foi eleito o “mala do verão”. A atitude, além de pouco civilizada, proibida por decreto municipal, fez Eduardo Paes (PSD) circular pela orla, advertir infratores e prometer um “choque de civilidade” para 2025.

Alta no consumo de bar

Apesar da despedida de redutos tradicionais como o Bar dos Chicos, no Maracanã, o setor de bares e restaurantes teve resultados positivos. A cidade do Rio registrou faturamento 20% superior ao do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

A grande roubada

O verão dos superlativos também afetou as ocorrências criminais. Só em janeiro, o número de roubos de veículos aumentou 43%, o maior número desde 2020. O índice de roubo de celular também bateu recorde no mesmo intervalo: subiu 39%. Já os roubos em ônibus no primeiro mês de 2025 cresceu 23%, o maior número desde 2021. Só durante os dias de carnaval, a Polícia Militar fez 786 prisões em flagrante, 16 delas com a ajuda das câmeras de reconhecimento facial espalhadas pela cidade.

Calor excessivo

Em janeiro, pela primeira vez desde a criação do protocolo de calor pela prefeitura, o Rio alcançou o nível 4. Este patamar é atingido quando as temperaturas atingem de 40°C a 44°C, com previsão de permanência ou aumento por ao menos três dias seguidos. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, o calor na cidade já levou mais de 5 mil pessoas a buscar atendimento médico em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) desde o início do ano.

Praia noturna

As altas temperaturas também levaram os banhistas a esticar o tempo nas praias, curtindo a orla mesmo depois de o sol ir embora. Apesar da experiência atraente, pelo ineditismo para alguns cariocas e turistas, houve impacto negativo: desaconselhável, o banho de mar noturno causou 12 mortes por afogamento em dois meses de 2025.

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